Périplo no Azul
para o Alexandre Baptista
Atrás dos olhos do homem
nuvens de montanha
atrás do homem.
Nuvens brancas
com asas de alturas
onde deflagram velas
de voar.
Lentos prados
lentos
verdes
lentos.
Vento como água
e água como silêncio.
Silêncio sombra de lume
nuvens de montanha
teares de segundos de sal.
Verdes prados
lentos
como uma viagem pelo mar.
Até ao delíquio da espiga
pela flauta de um poente
cai com o vento o azul
aos prados
plantados por fim
na Lua.
E no peito do homem
o peso de outra cabeça
o peso perfeito de outra cabeça
em cujos cabelos
se enredam estrelas
que sorrindo ele cheira
para o interior de seus olhos
adormecendo
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