quinta-feira, março 31, 2005

O Poema da Macieira

Quando tinha doze anos tentei escrever um poema. Eis as tentativas:

1ª versão

Quando abre o leque da brancura
a macieira
de sol morre o viandante adormecido.
É fruste sua sombra perfumada
nem existe a ave que em seus ramos
se enlura.
Pelas terras escalvadas
picadas pelo tojo mais daninho
o metal mostra o dente e a sede
verruma erguendo-se da planura
sua silhueta
como promessa perdida.

2ª versão

Tem um gesto de brancura
nos longes da planície fervida
a macieira de água.
Mas sua sombra é salina
sua ave encortiçada.

Sua lua frágua.

3ª versão

Olha túrbida
para a macieira a minha sede.
A macieira desfere um leque de brancura
em meu destino, e pelo vento chegam-me
sorrisos de água.
Mas a macieira vai ao passo do tempo
na mesma estrada da minha morte.

4ª versão

Eu procuro a sombra da macieira,
o linho branco da sua sombra.
Eu quero deitar-me sob os seus ramos
e aí ser sepultado dormindo o sono das maçãs,
para acordar em flor
e deitar a minha voz no vento
pelos campos.

5ª versão

Quero romper a terra
Braços abertos em brancura
Ter asas de perfume
Que fecundem a Lua.

6ª versão

Quando cair à terra
semeiem uma macieira nos meus olhos.

7ª versão

A meio da noite
abro um pouco a janela
e deixo a macieira entrar:
Ela embala-me até eu adormecer
com a sua voz de árvore
que me faz chorar.


Era mentira, não escrevi este texto quando tinha doze anos. Escrevi-o há bocado, enquanto apanhava um solinho na relva do meu quintal. Aliás, eu com doze anos, segundo me lembro, tinha bom gosto hi hi hi AH AHHHHHHHH qdfçoefhçowihfçorwihgfq

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

tu é q estudas...

5:07 p.m.  

Enviar um comentário

<< Home