Insónia
Dá o mote à minh´alvorada
um bando de pardais em revoada
fazendo-se ao céu à tesourada
céu madrepérola
céu mascarrado.
Há nas nuvens um corrimento
excesso de tinta-pensamento
e dos passeios petrificadas
espirais de folhas varejeiras.
Há uma cortina de pingentes
que é chuva fotografada
por entre onde passa o vento
magnésio à desfilada.
E há nos becos dos reformados
torvelinhos de risos passados
e na penumbra azeda
uma manta com asma
que sussurrou toda a noite.
Chiam os arames até às árvores
da roupa dos amarinhados
dos estendais desfraldada
a poeira do sono
por pardais levantada
dos meus olhos de vidro.
E por fim duas crianças a meio de um salto
sobre qualquer coisa que ainda não vejo
ou esqueci.
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