quarta-feira, março 16, 2005

Insónia

Dá o mote à minh´alvorada
um bando de pardais em revoada
fazendo-se ao céu à tesourada
céu madrepérola
céu mascarrado.

Há nas nuvens um corrimento
excesso de tinta-pensamento

e dos passeios petrificadas
espirais de folhas varejeiras.

Há uma cortina de pingentes
que é chuva fotografada
por entre onde passa o vento
magnésio à desfilada.

E há nos becos dos reformados
torvelinhos de risos passados

e na penumbra azeda
uma manta com asma
que sussurrou toda a noite.

Chiam os arames até às árvores
da roupa dos amarinhados
dos estendais desfraldada

a poeira do sono
por pardais levantada
dos meus olhos de vidro.

E por fim duas crianças a meio de um salto
sobre qualquer coisa que ainda não vejo
ou esqueci.