domingo, março 13, 2005

Desoras

Desprende-te e separa-te, tu que tens de nascer.
Alexandre O´neill

São desoras
delongadas
de longadas
noites vis
olhos funâmbulos
desatendidos
desacertados
desmanchados
borratados coloridos
e cubistas
salgados
Janelas brancas
estômago
fole empedernido
dedos vesgos
lágrima vértice
e ângulo
lágrima coisa
dessorada
desvelada
cobardia de espada
arrazoado escumoso
larva
- De nada
Desoras soluços
bebedeira temerária
militante tântrica
percuciente azada
sexual necessária
florestal incendiária
dentrífica comercial
pária
Eco aquoso
de fundo
de poço
- Toma uma moeda
do fundo
do bolso
e dá-me a água
falsa
devota
e ardentemente
lustral
- Estou desempregado
e a casa pôs-me fora da patroa
Quero enfrascar-me
porque não tenho ninguém
além de mim
que me dê as condolências
portanto a água
para desprender-me e separar-me
para quando me deitar
assista de fora
ao meu nascimento
e me pegue ao colo
e me deite ao poço
- Quero lá saber da sua sede
todos aqui são iguais
todos aqui vêm encher o poço
o senhor aqui é mais um
- Lá fora também
- Mas eu não estou lá fora
Embatucou-me o filho da mãe
Tal como não se deve acordar sonâmbulos
não se deveria calar bêbedos
Deixá-los com os seus pesadelos
anelos zelos pêlos prelos etc
Não é?
André?
- Deixa-me dormir, seu imbecil.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

.Que este teu poço "loja dos sonhos" duplique até ao infinito a imagem das maçãs adormecidas :)

3:12 p.m.  

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