domingo, outubro 16, 2005

Póstumo

Hoje desmoronou-se
o que da minha morte vai
até mim
e o que vejo agora é uma planície inóspita
sem distância
ninguém
e ouço este pensamento
como uma pena que cai
«só queria uma vida normal»
hoje os pássaros morreram
hoje as árvores calaram-se
hoje o céu cegou
hoje desmoronou-se
o que da minha morte vai até mim
hoje encontrei-me
hoje desapareci.

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Uma música melancólica, quase plangente, acompanhando a vastidão de um mundo desmoronado. Maravilhoso!

8:06 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Triste, apenas... Mas toca fundo, bem fundo. Como sempre.

1:30 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Sim, um poema envolto em tristeza mas cujo ritmo, apoiando-se essencialmente na agudeza dos i, nas vogais fechadas, nas nasais e no paralelismo anafórico, acompanha na perfeição, a aceitação, algo fatalista, do desmoronamento.

6:44 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Sim, um poema envolto em tristeza mas cujo ritmo, apoiando-se essencialmente na agudeza dos i, nas vogais fechadas, nas nasais e no paralelismo anafórico, acompanha na perfeição, a aceitação, algo fatalista, do desmoronamento.

6:44 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

e paradoxal, sim (escandalizanterrimo).
sim senhora.

2:50 p.m.  

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