Póstumo
Hoje desmoronou-se
o que da minha morte vai
até mim
e o que vejo agora é uma planície inóspita
sem distância
ninguém
e ouço este pensamento
como uma pena que cai
«só queria uma vida normal»
hoje os pássaros morreram
hoje as árvores calaram-se
hoje o céu cegou
hoje desmoronou-se
o que da minha morte vai até mim
hoje encontrei-me
hoje desapareci.
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5 Comments:
Uma música melancólica, quase plangente, acompanhando a vastidão de um mundo desmoronado. Maravilhoso!
Triste, apenas... Mas toca fundo, bem fundo. Como sempre.
Sim, um poema envolto em tristeza mas cujo ritmo, apoiando-se essencialmente na agudeza dos i, nas vogais fechadas, nas nasais e no paralelismo anafórico, acompanha na perfeição, a aceitação, algo fatalista, do desmoronamento.
Sim, um poema envolto em tristeza mas cujo ritmo, apoiando-se essencialmente na agudeza dos i, nas vogais fechadas, nas nasais e no paralelismo anafórico, acompanha na perfeição, a aceitação, algo fatalista, do desmoronamento.
e paradoxal, sim (escandalizanterrimo).
sim senhora.
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